Paralamas matando saudade - Entrevista com João Barone

O show desse sábado (13) da banda Paralamas do Sucesso, durante o Vitória Music Festival marca a volta da banda aos palcos capixabas. São quatro anos desde a sua última apresentação no Estado, que aconteceu na inauguração da turnê que o grupo fez com os Titãs.

Superado o impacto que o acidente sofrido pelo guitarrista e vocalista Herbert Vianna provocou na banda, os Paralamas comemoram as 270 mil cópias vendidas do seu mais recente CD, "Longo Caminho", que deu ao grupo o Grammy de Melhor Disco de Rock Nacional do ano.

No show de sábado, a banda toca músicas que fizeram sucesso nesses 20 anos de carreira, umas que não foram hits, como "A Dama e o Vagabundo" e o já famoso cover de "Que País É Esse", da Legião Urbana.

Nessa rápida entrevista, o baterista João Barone fala sobre o show de sábado, o livro que conta histórias do 20 anos de carreira da banda, o atual estado de saúde de Herbert Vianna e relembra um show que fizeram no início da carreira em Vila Velha para apenas 15 pessoas.

Século - Barone, vocês não se apresentam no Espírito Santo desde a inauguração da turnê com os Titãs que vocês fizeram no ano de 1999. Numa entrevista antiga, cheguei até a brincar com você perguntando se os Paralamas poderiam fazer um show do Acústico especialmente para os capixabas, já que a turnê não passou por aqui. Como vai ser o show aqui em Vitória neste sábado?

João Barone: Bem, este show é parte da tour Longo Caminho. Nós realmente sentimos que demorou para que voltássemos a nos apresentar aí, um lugar muito especial, com um público que sempre nos recebe super bem. Essa demora se deve aos fatos recentes, mas desde que voltamos a fazer shows, esperamos ansiosamente para voltar a Vitória...

Século - Primeiro vocês ganharam o Grammy com o CD "Acústico MTV" (1999) e esse ano venceram novamente com o disco "Longo Caminho". Depois de tantos anos de carreira esse prêmios ainda trazem impacto na carreira da banda?

Barone: Prêmios desse tipo são assim: quando não se ganha, se lamenta. Quando se ganha, parece que não faz muita diferença. Mas o Grammy está se tornando mais atrativo, chamando mais atenção. Ao menos é o que sentimos desta vez. Qualquer coisa que enalteça o cenário musical tem seu valor.

Século - O Jamari França estará lançando um livro sobre a história do grupo. Você já leu a edição final? O que achou do modo como o livro relata os fatos ocorridos com a banda?

Barone: O livro deve sair alguma hora. Houve muitos atrasos para a edição final. O Jamari está dando a visão dele sobre Os Paralamas, baseado no que ele vivenciou com a banda no cenário do rock brasileiro. Quem gosta dos Paralamas talvez curta o livro.

Século - Em que estágio se encontra a recuperação de Herbert Viana?

Barone: Acho que está muito bem em todos os sentidos. Poder tocar e fazer shows é sem dúvida o melhor remédio para ele.

Século - Ainda há falhas na memória recente?

Barone: Sim, mas ele está melhorando esse quadro gradativamente. Quem vê ele agora jamais poderia dizer que ele sofreu um acidente com chances mínimas de sobrevivência...

Século - Qual a mudança no dia-a-dia do grupo com as restrições que o problema do Herbert impõe a rotina da banda, como ensaios...?

Barone: Na verdade, não impõe muita coisa. A única exigência é quanto as facilidades de acesso ao palco e camarins, com espaço de movimento, rampas, etc. No mais, está tudo normal.

Século - Em 2003, vocês fazem 20 anos de carreira. Qual a sua lembrança mais remota em relação ao grupo. O que achava do som da banda logo que substituiu o Vital no Festival Universitário da Universidade Rural do Rio, em 81?

Barone: Nossa, isso faz tanto tempo que nem me lembro! Mas na época em que conheci Herbert e Bi, ainda estávamos moldando o que seria o som dos Paralamas. Achei que eles eram legais e que a gente "tinha assunto"... Me lembro de um show que fizemos aí em Vila Velha, não me lembro o lugar, onde tinham 15 pagantes. O Zé, nosso empresário não tinha ido por causa da sua formatura. O Herbert estava na função. Eu falei, vamos cancelar o show. Achei que era roubada. O Herbert falou: "João, eu li uma vez que o Police fez um show pra dez pessoas num bar qualquer e tinha um cara de rádio que gostou da banda e começou a tocar as músicas deles. Deixa de ser fresco e vamos fazer esse show na moral!" Foi muito bom o conselho. Tocamos super bem. No final, eu perguntei pra ele: "Fizemos a nossa parte, mas, será que o cara da rádio veio?"

Século - E os preparativos para o novo álbum, já estão pensando nisso?

Barone: Sim, o Herbert está com mil e uma idéias, mas vamos lapidando tudo sem pressa.

Século - Há possibilidades do The Silva´s voltar? (N.E. banda de Surf Music que contava com Barone na bateria, o produtor e ex-Mutante Liminha na guitarra e cujos vocais eram divididos entre inúmeros líderes de bandas do rock nacional, como Samuel Rosa, Frejat, D2 e outros)?

Barone: O The Silva´s é um projeto sem dia nem hora para ser retomado. Seus membros estão muito ocupados no momento com suas atividades primordiais...

Paralamas Big Bang
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