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Hábito tem sido incentivado por pais e educadores
Wilfred Gadêlha
ESPECIAL PARA O DIARIO
As crianças brasileira estão lendo cada vez mais. A introdução quase que obrigatória dos livros paradidáticos no universo da Educação Fundamental vem sendo responsável pela conquistas de novos leitores. A tradicional leitura do colégio vem angariando mais e mais jovens para as páginas de mestres da literatura nacional, mudando hábitos e originando uma geração de pequenos críticos.
Bons exemplos surgem a cada instante. Aos 12 anos, Vítor Albuquerque é um bom exemplo da geração que vem consumindo títulos e mais títulos avidamente. Aluno da 6ªsérie do Ensino Fundamental do Colégio Neo Planos, o garoto tem preferência pelos "livros sem figura". "Gosto de ler livros com assuntos reais e inventados pelos autores", simplifica Vítor, cuja produtividade é de três livros por mês. Ele está terminando Sempre Haverá Um Amanhã, de Giselda Laporta Nicolelis, e o trabalho que mais gostou até hoje foi O Que É Que Eu Faço, de Tânia Martinelli. Ambos são os famosos paradidáticos. "Meus pais compram e eu leio em casa. Mas, àsvezes, vou à biblioteca da escola".
Quatro anos mais nova, Xili Ma adquiriu o hábito de ler nos Estados Unidos, onde morou com os pais, que são chineses. "Toda sexta-feira um ônibus-biblioteca estacionava em frente à minha casa", explica a menina. Um dos seus livros preferidos é o clássico de Monteiro Lobato, Pedrinho e o Saci. "Sempre que vou ao shopping, tenho que comprar gibis ou livros", diz a estudante da 2ª série do Ensino Fundamental do Colégio Santa Maria.
Na Escola Recanto, que fica na Madalena, cada sala de aula tem uma mini-biblioteca. Mesmo assim, a diretora Fátima Morais não abre mão da biblioteca central, que conta com cerca de mil títulos. "Na hora do recreio, precisamos distribuir fichas numeradas para evitar tumulto", conta ela. A escola desenvolve projetos de acordo com cada nível de ensino. De 1ª a 4ª série do Ensino Fundamental, a ênfase é nos autores regionais, que vão à sala de aula discutir o conteúdo do livro com os alunos. "Fazemos questão de trazer os autores aqui", enfatiza Fátima. Não é à tôa que o jardim da Recanto é decorado com estátuas de personagens de Monteiro Lobato. "Trouxemos até Ziraldo, que é um autor que as crianças amam".
Uma pesquisa divulgada pela Câmara Brasileira do Livro e pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros mostrou o aumento de 7% no número de exemplares vendidos em 2002, em comparação com os números de 2001. Em detrimento de uma queda de 9% nas vendas de livros didáticos e paradidáticos para as escolas particulares em todo o país - fenômeno que não se repete em Pernambuco, os editores comemoram o que eles consideram a tábua de salvação para o setor: as compras dos programas governamentais.
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